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Culinária política

por Manuel_AR, em 21.05.11
Culinária política
 Afinal o que é que a política tem a ver com a culinária?
Vejamos! Na culinária são utilizados ingredientes e condimentos de para a obtenção dos paladares mais diversificados para que os nosso anfitriões, ou clientes se for  um restaurante, recordem e fiquem satisfeitos. Na nova culinária  experimentam-se, reformulam-se e combinam-se ingredientes para resultarem em novos sabores e experiências gastronómicas.

Na política também são utilizados e misturados ingredientes (palavras, chavões, frases feitas) para atraírem clientelas para os  pratos prometidos durante as campanhas eleitorais.
Assim como há cozinheiros muito hábeis e inovadores na criação de receitas, há também alguns políticos que sabem manipular e combinar ingredientes e condimentos  para os seus potenciais clientes,  alguns deles já sem paladar. Acabam afinal por consumir o que está na ementa que se mantém    meses ou anos. Quando assim é o melhor é mudar de restaurante. O que faríamos se uns nossos amigos nos convidassem para jantar num restaurante onde já tínhamos estado anteriormente onde, para além da comida mal confecionada apanhámos uma intoxicação? Provavelmente declinávamos diplomaticamente o convite  e sugeríamos a escolha de outro local para o nosso jantar.

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publicado às 17:09

O sentido da fobia da direita

por Manuel_AR, em 16.03.11

Imagem obtida a partir de http://www.pics-and-docs.blogspot.com/

Se estivermos atentos e reflectirmos sobre o que ouvimos dizer a alguns políticos  poderemos constatar que os de esquerda, nomeadamente o PCP e o BE, atacam o partido do governo, o PS neste caso, dizendo que faz políticas de direita, conotando-o e ligando-o à direita com a qual, segundo eles, está em conluio. Pretendem assim criticar um governo que faz políticas de direita. É portanto suposto que são contra um governo que dizendo-se socialista faz políticas de direita. Até aqui tudo bem.   Mas, quando o PSD ou o CDS/PP sobem nas intenções de voto, avançam com alguma proposta, mesmo que seja de interesse nacional, ou se por outros motivos  estão em confronto com o PS, de que lado fica a dita esquerda?  Em circunstância de eleições quem atacariam em primeiro lugar? A direita, claro, que é o principal “inimigo” que quer ocupar o poder.
Como é remota a possibilidade de qualquer dos partidos PCP e BE, só, ou em conjunto, virem a atingir uma maioria no Parlamento, então, ao terem como objectivo evitar que a direita alcance o poder estão a assumir que é preferível manter o PS, cujas práticas governativas dizem ser de direita. O mesmo seria dizer que preferem no governo uma direita a outra direita já que os de esquerda são eles. Então em que ficamos? Talvez esperar que o PS se voltar a ganhar as eleições e mudar o governo, traga com ele novas políticas de esquerda. Trará de facto?!
Não nos iludamos, se a direita ganha com ou sem maioria as eleições para a Assembleia da República veremos a esquerda, tacitamente, a alinhar com o PS que para eles passou a ser esquerda que era até então de direita.

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publicado às 00:04

Veja as diferenças: nós e os outros nos respectivos contextos

por Manuel_AR, em 10.03.11
Durante o longo mandato de Margaret Tatcher à frente da Grã-Bretanha (1979 a 1990), por coincidência em 1979 a OPEP subiu 50% o preço do barril do petróleo face ao ano anterior, após o primeiro choque petrolífero de 1973. Segundo analistas da política e da economia o seu mandato conduziu o país a um descalabro e o povo ao desemprego e à pobreza.
Com as políticas  governamentais que foram tomadas a produção industrial diminuiu trazendo consigo o  incremento do desemprego que aumentou três vezes mais desde que foi eleita.  As falências e o fecho de empresas aumentaram  devido à austeridade ao mesmo tempo que a inflação aumentava, contrariamente ao que inicialmente se pretendia, conduzindo a economia do Reino Unido em 1981 a uma profunda recessão.  As políticas do governo  durante os anos 80 e parte de 90 tenderam a beneficiar os membros mais abastados da sociedade acentuando as privações dos mais desfavorecidos.
O pretexto que servia de justificação as medidas então tomadas eram os factores relacionados com políticas do governo para a revitalização da economia. Os direitos da  "Employement Protection Act", (Lei de Protecção do Emprego), foram reduzidos e paralelamente procedia-se à redução dos salários dos trabalhadores e à privatização da indústria anteriormente nacionalizada.
As teorias que apoiavam as medidas da primeira ministra Tatcher assentavam no princípio da redução da taxa de imposto sobre os rendimentos dos indivíduos e das empresas que seriam factores de crescimento económico que, por sua vez, iriam gerar crescimento económico possibilitando fluxos de financeiros para os mais pobres. A redução de impostos eram vistos como indispensáveis para a promoção de investimentos produtivos, para a criação de mais empregos e mais prosperidade.
Como consequência daquela governação, na década de oitenta, o fosso entre os membros mais ricos e mais pobres da sociedade aumentou de forma drástica. A Grã-Bretanha encontrava-se em segundo lugar  na tabela dos países  industrializados, apresentando entre 1977 e 1990 o crescimento mais profundo de desigualdade económica. Esta situação foi-se alterando para melhor entre 1999 e 2003 de acordo com as estatísticas das desigualdades sociais sobre o trabalho, educação, saúde e rendimentos (http://www.statistics.gov.uk/hub).
 A falha da teoria em que assentava a política da Srª Tatcher foi também sustentada na prática por sete anos de governo na Alemanha em que os sete anos de governo "social-democrata" de Gerhard Schröder entre 1998 e 2005 se caracterizou por ser um período de maior isenção de impostos a grandes empresas, o que conduziu a um aumento do desemprego que chegou  oficialmente a 5 milhões de desempregados, 10,6% em 2005 e 11,7% em 2007 tendo diminuído drasticamente em 2007 para 7,6%.
O que então aconteceu foi que os impostos foram reduzidos ou isentados para a maioria das empresas alemãs ao mesmo tempo que foram também reduzidos  ou até abolidos os impostos sobre riquezas, as heranças e os lucros, ficando a recolha de impostos originária apenas de rendas, "ter um cão pagava imposto". Desta forma os impostos pagos pelos alemães através dos impostos originários de rendas e licenças supera o total dos impostos pagos pelo total das empresas.
No caso português ainda não chegámos a este ponto, mas pelo que podemos ver e ouvir, para lá caminharemos se os governos responsáveis pelo endividamento do Estado, ou os que vierem, cairem na tentação de ceder à ineficácia comprovada da política neoliberal. Sem uma reflexão profunda (veja-se o exemplo da Alemanha)  apostar sem qualquer espírito crítico  na redução de impostos com vistas à geração de empregos, sob a alegação de que a taxação tributária de grandes empresas estimularia a migração para outros países centrando a culpa na globalização, no mercado e na concorrência. Todavia não estamos a afirmar implicitamente que o aumento desmesurados dos impostos incidindo sobre a classe média feitos pelo actual governo será o caminho certo, antes pelo contrário, as políticas actuais conduzem-nos a uma recessão sem precedentes se com o governo que suceder a este não reduzir forem progressivamente os imposto quando e se a retoma alguma vez se iniciar.
Desta reflexão podemos ver as diferenças ou semelhanças com o caso português, considerando as suas especificidade, aprendendo com os erros de uns e aproveitando boas práticas de outros. Quem nos vier a salvar  do pesadelo da actual situação que nos foi imposta deverá ter isso em conta. 

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publicado às 20:45



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